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Idiotia

Os jovens experimentam a iconoclastia
Até que se grite: EI!
É claro que todo conservador de vinte anos é um idiota
Que o senhor socialista é um idiota
Que esse frasco é um idiota

É claro que há corrupção
É claro que uns sim, uns não
Mas todos, todos, todos

E décadas se passaram
E só eu lembro de Funes,
mas estou vivo, vivo,
Vivo por agora e por aqui adentro

É possível votar com consciência?

Mais uma do departamento de niilismo.

A cada dois anos, a ladainha é a mesma. Se entre os candidatos até que há um revezamento entre dinossauros e noviços, a parte do eleitorado que opina por aí é muito menos mutável.

O que justificaria uma consistência ideológica – vá lá, “sou socialista”, “sou trabalhista”, “sou social-democrata”, “sou liberal” – dentro do espectro político brasileiro, esquece. Partidos são mobiliário de aluguel, um pregão em que os valores são o tempo de TV e o peso relativo de cada voto na legenda-quimera. Nada de novo por aí.

Um cara de princípios que ultrapassem o hoje-em-dia não vota em ninguém. Não poderia. Mas a danada é a arte do possível, não é? Do outro lado da tabela, quem diz que político é tudo igual tem a obrigação de anular o voto, mas nunca. A gente conhece a trama, fazer figa pra todo homem público, à torto e à direito, é um salvo-conduto imaginário contra a otarização que sofremos e sofreremos no próximo exercício.

Escolher por eliminação – estratégia tão jóia quanto as outras – pode mascarar dramas de consciência, mas não funciona como redutor de responsabilidade.

Escolher um perdedor certo pode valer um título de fera romântica do ano no botequim, só que, no mais das vezes, é simplesmente um voto afetado e covarde. Covardia que apareceria se o referido candidato corresse algum risco de vencer a peleja.

Há que escolher, e queremos pensar que votamos com consciência. Mas eu me pergunto, dado que vou votar enfim em um deles:

Que aberração sanguinária, desumana e estupefaciente essa pessoa ou organização teria que cometer pra que eu retirasse meu voto dela?

Candidatos de Uberlândia – Eleições 2010

Sem raízes políticas por aqui, faço essa lista pra tentar organizar minhas preferências para as eleições. Os dados vem do TSE (em 4 de agosto), desta página do Correio de Uberlândia e de outras googladas.

Quem tiver dados pra atualizar a tabela, pode avisar.

Nome na urnaPartidoCargoWebsiteSituaçãoOcupação atual
Célio Moreira da SilvaPMDBDeputado Estadualhttp://celiomoreiradasilva.com.br/DeferidoVereador
Leonídio BouçasPMDBDeputado EstadualCom impugnaçãoEmpresário
Leandro XademPMDBDeputado Estadualhttp://twitter.com/leandroxademDeferidoEmpresário
Wellington SalgadoPMDBDeputado FederalDeferidoEmpresário
Zaire RezendePMDBDeputado FederalRenúnciaMédico
Elismar PradoPTDeputado Estadualhttp://twitter.com/ElismarPrado13DeferidoDeputado Federal
Arquimedes CiloniPTDeputado EstadualDeferidoProfessor de Ensino Superior
Gilmar MachadoPTDeputado Federalhttp://www.gilmarmachado.com.br/Aguardando JulgamentoDeputado Federal
Weliton PradoPTDeputado Federalhttp://www.welitonprado.com.br/DeferidoFotógrafo e Assemelhados
Luiz Humberto CarneiroPSDBDeputado Estadualhttp://www.luizhumbertocarneiro.com.br/DeferidoDeputado Estadual
BaianoPPDeputado Federalhttp://helioferrazbaiano.blogspot.com/Aguardando julgamentoEmpresário
Tenente LúcioPDTDeputado Estadualhttp://www.tenentelucio.com.br/DeferidoDeputado Estadual
MuriloPDTDeputado Federalhttp://pt-br.facebook.com/profile.php?id=100001185548570DeferidoVereador
Liza PradoPSBDeputado EstadualDeferidoVereadora
Paulo AntonietiPSBDeputado EstadualDeferidoAdvogado
Dr. Fernando MoraesPSBDeputado EstadualDeferidoMédico
EsdrasPSBDeputado FederalDeferidoAdvogado
Márcio BileyPSBDeputado FederalDeferidoEmpresário
Cunha CorretorPPSDeputado EstadualDeferidoEmpresário
RendePPSDeputado FederalAguardando JulgamentoProfessor de Ensino Superior
CJ - Carlos JoséPCdoBDeputado EstadualDeferidoComerciante
Cabo EmídioPRTBDeputado EstadualDeferidoPolicial Militar
Gustavo MenezesPRTBDeputado EstadualAguardando julgamentoEmpresário
Vicente PauloPRTBDeputado EstadualAguardando julgamentoProfessor e Instrutor de Formação Profissional
Maurício LúcioPRTBDeputado FederalAguardando JulgamentoDiretor de Empresas
Wilson PinheiroPTCDeputado Estadualhttp://www.wilsonpinheiro.com.br/DeferidoVereador
Edison MagnoPTCDeputado FederalDeferidoServidor Público Estadual
Eduardo RochaPTCDeputado Federalhttp://www.uberlandiacontraapedofilia.com.br/?page_id=47Com impugnaçãoEmpresário
João BittarDEMDeputado Federalhttp://joaobittar.wordpress.com/DeferidoOutros
RatinhoPMNDeputado EstadualAguardando julgamentoComerciante
José Roque FilhoPMNDeputado FederalDeferidoOutros
João Batista ArantesPSCDeputado FederalDeferidoMédico
DeodatoPSOLDeputado EstadualDeferidoAgricultor
Edeilson PereiraPSOLDeputado EstadualAguardando julgamentoProfessor de Ensino Fundamental
Marilda RibeiroPSOLSenadorAguardando JulgamentoAdvogada

Só no sebo

O problema das livrarias começa com a maioria delas estando enterrada dentro de um Shopping Center. Acho que se pode dizer que quem gosta de livros os consome, mas é um consumo algo mais pagão e multifacetado do que o possível no templo da gordura hidrogenada e do “sale” (sapore di sale, sapore di mare). É claro que depois a crise passará pelos livros: de cara, a vitrine é um espantalho (Nevermoooore,  vaza, malandro!). Os primeiros passos me colocam em contato com ilhas temáticas, todas elas vão me ajudar em alguma coisa: ficar magro rico feliz culto. Existem livros – é claro – e muito mais: derivados de livros, como se livro fosse leite, que azeda e vira algo ainda mais legal. As pulgas do Marley, as espinhas do Harry Potter, o Segredo (do Morcego, do management, do escambau), a dieta de empresário de sucesso, os dez mandamentos de qualquer coisa. Tem também essa conversa de “edições belíssimas”: se pega um escrito (mais dos “highbrow” e preferencialmente de domínio público) e toca a pôr papel esquisito, livro que abre pra cima, dentro de caixa, com bordadinho.

Volta e meia eu ganho um livro de presente (porque eu “leio muito”) e é batata: lista da Veja, “diz que é muito bom” e tome sofrimento, garimpando pra trocar por algum livro sobretaxado em “edição belíssima” de um texto grego ou coisa que o valha. Sou a favor de livraria vender cerveja, que eu troco por crédito na loja.filhos-do-povo-thn

Sebo é outra história, que também tem suas chatices, mas é onde se encontram os livros legais, naquela puta bagunça, preço baratinho (em sebo fresco de quem “sabe o que está vendendo” eu não entro). Livros pra levar e ler. E pra falar de edições especiais, qualquer livro que venha do sebo é único, com suas orelhinhas, “pertence a…”, com anotações às vezes esquizofrênicas, carimbos, marcadores de página bizarros.

Este papel que segue encontrei em um livro, que não me lembro qual, um hino anarquista espanhol transcriado aqui para o português, presente em várias publicações operárias. Seria o original? Cosac-Naify não faz melhor em termos de eye-candy.

Filhos do Povo

Filhos do povo, que sofreis em extremo,

Lenta agonia, sem luz e sem ar,

Mais vale o esforço de um acto supremo;

Se a vida é pena, mais vale lutar!

Mais vale lutar!

Esse vil mundo que atrós vos consome

Sobre esses hombros, despotico está;

Lançai-o à terra, mataio de fome

Força suprema (viril), que o braço vos dá!

Revolução! abre o porvir

A exploração ha-de sucumbir!

Ação, ação, não pedir leis;

Valor e união que livre sereis

Tomai de vez, o bem estar

Contra o burguês

Lutar! Lutar!

Quando num gesto viril soberano

Numa revolta de anteu produtor

Dissipe o homem, neblina de engano

Retome a terra, repila o Senhor!

Repila o Senhor!

Sobre o escombros a livre comuna

Sem leis e sem amos, vivaz surgirá!

Que a liberdade, na vida nos una,

Se tudo é de todos, escravos não há!

Ah Revolução! abre o porvir.

A exploração hade sucumbir

Ação, Ação, não pedir leis

Valor e união de livres sereis

Tomai de vez, o bem estar

Contra o burguês, lutar, lutar!

Mídias sociais

Pode-se até inferir uma naturalidade na gloriosa ciência do marketing, ver que as novidades em matéria de promoção cruzam fronteiras sem o menor problema. Quem bolou a primeira notinha xerocada no estilo “senhoras e senhores estamos aqui”? E quanto tempo levou pra “virar viral”?

A nota abaixo recebi em uma Montevidéu decadente, cheia de meninos de calle:bilhete.jpg

A seguinte recebi de um amigo guardador de carros, um libelo pela evolução do transporte público. Um tanto de polissemia pra quem gosta:
amigo-2real.jpg

Alguém usou o PageMaker – quem sabe – fez o layout, meteu na gráfica, teve guilhotina e aquela colinha vermelha de fazer bloquinho, tudo pra conseguir um amigo, uma espécie de “me add aê, senão…”. Mas eu estava sem trocado.