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Schadenfreude
Pois é, o mundo está acabando, alguns anos depois do muro de Berlim, cai a “Rua do Muro”. Os vitoriosos da Guerra Fria aparentemente definham à falta de inimigo.
Consigo achar quase nada sobre a horrorosa situação. A maioria atribui à ganância, enquanto alguns ecoam o oposto, uma rede de medrosos que dissolveu tanto os riscos, que quando caiu um, caiu todo o dominó.
A única, se é que há lição em todo esse “debacle” é que não existe ciência econômica. É assim que, por referência circular, não acredito que seja a pior crise econômica desde a Grande Depressão, como diz a maioria dos economistas. Também não acredito no exato contrário. Também não acredito em nada entre estes dois pólos.
O bom é o pitoresco. Quando da primeira recusa ao pacote econômico (aquele que era de US$700bi), todas as ações caíram ladeira abaixo. Todas, menos uma: Campbell Soup Co.. Prudência, dinheiro, o escambau! Só a canja de galinha é inofensiva em tempos malignos.
Enquanto a desgraça não se abate de vez do lado de baixo do Equador, fica o inconfessável Schadenfreude de não ter porra nenhuma em papéis quaisquer.

Porque você disse isso?!
O germe dos websites dinâmicos, que não somente apresentam conteúdo fixado no texto já estava pres
ente na invenção do hyperlink. A sintaxe é realizada pelo “leitor”, ele escolhe a ordem e a completude de toda leitura realizada online. Saltando de um texto a outro via cliques, é um co-autor, recompilador dos discursos disponíveis. Somado a isso vem a facilidade de publicar o próprio conteúdo. E potencializando o caldo final, entra também a facilidade, via Control-C / Control-V, de cristalizar as leituras das quais agiu em co-autoria inesperada, gerando um discurso final (embora fugaz e de originalidade questionável frente a padrões anteriores), que por sua vez está automaticamente submetido a estas mesmas regras de apropriação.
Estabelecida a fugacidade, o “nevermind” de tudo o que esteja presente na Internet, chegam os websites sociais, em cuja própria origem está o desejo de “arranjar mulher” (vide a história da criação do Friendster) e o conteúdo publicado não é mais algo que alguém gera, senão a presença deste próprio alguém: Não veja mais minhas criações, veja a mim mesmo. Ligado a isso estão plataformas que possibilitam “linkar” as pessoas, no início representações de conexões da vida real, seguidos por amigos-do-amigo e, fatalmente, gerando conexões geradas na cena virtual em si.
Ruminando o motivo inicial das redes sociais regurgitou-se algo totalmente diferente. A tônica é a corrida pela quantidade de conexões feitas, no melhor estilo “eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar” e, paradoxalmente, seguir cantando praticamente sozinho. É notável, websites sociais que exploram nichos não tem proporcionalmente o mesmo sucesso do que aqueles de escopo geral. Mesmo em termos nacionais, a “tomada” do Orkut pelos brasileiros basicamente matou o website para o resto do mundo. É necessário ter o mundo todo aos pés, ao menos em potencial.
É imprevisível o futuro destes websites, possibilidades incluindo até a fadiga ou o esvaziamento do modelo, pela simples passagem do tempo ou pela presença massiva de spam e de perfis falsos ou comerciais/promocionais. Mas o mais provável é a manutenção, ampliação e concentração das redes sociais. Mesmo que mais lenta do que a oferta de novidades, a vida das pessoas entrantes passa e o grande público da Internet (os jovens, que não experimentam qualquer estranhamento ou ruptura ao tomarem contato com um mundo em que ter um perfil do Orkut é norma) segue crescendo, conquistando renda própria e hábitos de consumo intrinsecamente ligados a essas tecnologias.
(voltei a postar, após atualizar o WP e tudo o mais, quando vi que tinha um “draft” velho aqui, meio sem começo e assim vai)
Fw: Fw: Fw: Cc: Re:
Eu adoro e-mail. Dar um toque em velhos amigos, que ficaram ou foram pra longe, “regar a plantinha” e tal; trabalhar (bem mais fácil com os gringos), evitando gastar dinheiro e alegria pelo telefone. Mas tem aqueles e-mails pentelhos que você vai receber uma vez por mês de desocupados variados. Um dos campeões é o da lista gigante de troços dos anos oitenta. E dá-lhe magaiver, boneca não-sei-o-quê etc. Tenho algumas lembranças dos anos oitenta, e antes que elas se esvaneçam em fumaça, sigo a regra, mas sem encher a caixa de ninguém:
- Aula de Educação Moral e Cívica (que não funciona), Organização Social e Política do Brasil e Educação Para o Trabalho (idens);
- Foto do Figueiredo na primeira página dos livros escolares;
- Delfim, Maluf, Abi Ackel, Cesar Cals, Ernane Galvêas, Bob Fields, Passarinho no Jornal Nacional e meu pai imprecando;
- Tentar ajustar o horizontal da TV;
- Plantão pra gravar cassete com música do Chico Buarque na FM;
- LP com faixas riscadas pela censura;
- Cartazes de fugitivos políticos no poste em frente à lotérica;
- Ouvir disco do Juca Chaves, proibido para menores de 18.
- Ver o “alvará” dos filmes no cinema antes da projeção, assinado pela Solange Hernandes (aquilo parecia um cheque vagabundo);
- Ver o adesivo (ou colante) “oPTei” em carros fodidos;
- Ver o prefeito nomeado de Santos desfilar num jipe militar no sete de setembro;
- Revista Veja subversiva;
- E por ai vai.
