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Personalidade 37 – 15/4/2009

A minha personalidade 37 apareceu. A burra, depois de já algum tempo. Fiquei bem feliz, sentimos falta dela. Amplificada pela gripe, com a qual lida muito melhor que a personalidade, digamos, 41 – toda cheia de fidalguia. A 37, de uma maneira totalmente diversa, aproveita a congestão, aquele encapamento dos sentidos pra florescer em sua estupidez beirando o nirvana. Criatura essencialmente falida, promete e deseja que se apruma, basta que fique tempo suficiente pra o prumo beijar-lhe as bochechas como a futura esposa. Mas, por enquanto, diverte-se com o que a vida tem de mais simples, televisão – a insônia é bem vinda pela personalidade 37, o sofá velho, a temperatura, qualquer que seja, tudo é bem-aventurança.

Já mencionei que a personalidade 37 é a burra? Ela não carrega os pecados do mundo nas costas, o que nos tem facilitado muito o transpassar a tarde. Fácil ouvir rádio sem escolher estação, um pão com manteiga, alegria, alegria, pura matemática de arriscar um total e levar fama de quem faz conta de cabeça. E as verificações ficam por conta dos outros e das outras personalidades.

Olhar fotografias delas e deixar levar, cada vez mais boçal, cada vez mais afeito ao contentamento.

A problemática dos textos apócrifos

“E, após a queda abissal, Lúcifer atinge o solo terreno, e dali nasce um pé de pequi”

Friedrich Wonton Nietzsche (Die Schutlzen Tangram, circa 1834)

O dicionário define “apócrifo” como algo essencialmente verdadeiro (do aramaico vulgar antigo “apoys”, essência). Ainda assim, muitos se perguntam: qual seria a medida da apocrifidade intrínseca de um dito atribuído a algo ou alguém, ou ainda, citando o grande filólogo romano Rimsky-Korsakov: quidnam fatigo, me?

Os textos apócrifos fluem pela Internet e pelo inconsciente coletivo das pessoas na velocidade da luz, ou seja: 300 bilhões de quilômetros por segundo (Jungle, 1912). Isto seria aceitável sob um ponto de vista pragmático, à la Charlie B. Pierce, mas o conundrum começa justamente a partir do momento em que um indivíduo reducionista-analítico de orientação marxista toma posição contrária.

Todos sabem que, desde que Dan Brown criou a série Fibonachi (x=x+3), o conflito entre os cânones católicos e as correntes pagãs modelou a cara da (então tomada pela barbárie) Europa Setentrional. Consultando o Codex Confabulus e opondo-o ao Protocolo dos Sábios do Ceilão, tal paradoxo fica patente.

Então, quais os rumos a tomar? Como ter respaldo em nossas mensagens para que elas encontrem seu destino último, a glória online? Jorge José Borges (1805-1980), inimigo famoso dos labirintos especulares e principal idealizador da Anternet, a rede sino-americana de computadores, já dizia: “O Homem é a medida de uma boa parte das coisas”. Por conseguinte, todos juntos e cada um de nós temos um papel importante na constituição de fato do condomínio global propalado por McNamara.

E, sem mais delongas, deixo vocês com a eloquência de Al Jolson, o homem, o mito:

“Ninguém retorna de boa vontade ao local que lhe fez algum mal”

Mídias sociais

Pode-se até inferir uma naturalidade na gloriosa ciência do marketing, ver que as novidades em matéria de promoção cruzam fronteiras sem o menor problema. Quem bolou a primeira notinha xerocada no estilo “senhoras e senhores estamos aqui”? E quanto tempo levou pra “virar viral”?

A nota abaixo recebi em uma Montevidéu decadente, cheia de meninos de calle:bilhete.jpg

A seguinte recebi de um amigo guardador de carros, um libelo pela evolução do transporte público. Um tanto de polissemia pra quem gosta:
amigo-2real.jpg

Alguém usou o PageMaker – quem sabe – fez o layout, meteu na gráfica, teve guilhotina e aquela colinha vermelha de fazer bloquinho, tudo pra conseguir um amigo, uma espécie de “me add aê, senão…”. Mas eu estava sem trocado.