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poema

O adulto aprendeu

que os segundos

são mais extensos

do que um instante

E, não obstante,

se contam nervosos,

como tiques,

nas horas estanques

O ideal me mata…

O ideal me mata, o ideal

ideal

Tão utilizado quanto inútil

Muitas vezes

Trouxe suvenires

Desta aldeia da idéia

E lá deixo meus

Pobres cobres

 

Isso vai me matando

Da fome do tátil

Do crível e amável

Da pequena bela idéia

 

Estou fugindo

Do seio do ideal

Para o agasalho

Do seio do seio real

Me encontro entre os quatro trilhos…

Me encontro entre os quatro trilhos

Como filhos separados ao nascer

Correm para encontrar o infinito

Mas só vão e vêm, porque trem.

 

Alargo os passos pra pisar dormentes

E posso estar fugindo

Faz um sol parado dos diabos

Cascalho pra todos os lados

 

Só cacos na bagagem

Alguns colados pelo caos, como retalhos

Outros sós, cacos cortantes

Pó de tudo, pó de nada

 

Sempre ao ser esquartejado

Pelo aço e pelo diesel que se enroscam

Fico contemplando daqui a idéia

De descarrilar numa tangente

Refeição

Um peixe jazendo dourado numa travessa brilhante

Vai sendo velado aos nacos

em gomos de carne

Vai sendo velado aos nacos

em dentes protéticos

Em histerias protéicas

 

Agora, o assado é passado

A nudez testemunhal de um animal

É sua espinha limpa numa travessa opaca