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Arrogância, nenhuma pompa

Arrogância, nenhuma pompa

foi crucificado ou crucificou-se

Seu martírio veio da pura imperfeição

Genuína fraqueza, seus ferimentos, pois rastejava apenas

Um incomensurável azar, seu carrasco

Vivia crucificado

Na horizontal, canetas fincadas nas mãos, uma viga de papel

Letras, sílabas, palavras, versos, sobrepunham-se

Formando a cruz

E como não tivesse quem o erguesse a prumo

Deitado seguia seu suplício olhando o céu

E pensava

em pedir perdão porque escrevia

Minha ruína…

Minha ruína é culpa. A sua é virtude
Minhas olheiras são culpa. As suas são honra
Meu mundo fadado à destruição, quando o seu, transformação
Sou estranho, você é comum e sou menos, sou culpa
Ouço-lhe arredio, enquanto me ignora está certo
Quem você pisa
quem pode te derrubar
Culpa é referencial.

Idiotia

Os jovens experimentam a iconoclastia
Até que se grite: EI!
É claro que todo conservador de vinte anos é um idiota
Que o senhor socialista é um idiota
Que esse frasco é um idiota

É claro que há corrupção
É claro que uns sim, uns não
Mas todos, todos, todos

E décadas se passaram
E só eu lembro de Funes,
mas estou vivo, vivo,
Vivo por agora e por aqui adentro