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Personalidade 37 – 15/4/2009

A minha personalidade 37 apareceu. A burra, depois de já algum tempo. Fiquei bem feliz, sentimos falta dela. Amplificada pela gripe, com a qual lida muito melhor que a personalidade, digamos, 41 – toda cheia de fidalguia. A 37, de uma maneira totalmente diversa, aproveita a congestão, aquele encapamento dos sentidos pra florescer em sua estupidez beirando o nirvana. Criatura essencialmente falida, promete e deseja que se apruma, basta que fique tempo suficiente pra o prumo beijar-lhe as bochechas como a futura esposa. Mas, por enquanto, diverte-se com o que a vida tem de mais simples, televisão – a insônia é bem vinda pela personalidade 37, o sofá velho, a temperatura, qualquer que seja, tudo é bem-aventurança.

Já mencionei que a personalidade 37 é a burra? Ela não carrega os pecados do mundo nas costas, o que nos tem facilitado muito o transpassar a tarde. Fácil ouvir rádio sem escolher estação, um pão com manteiga, alegria, alegria, pura matemática de arriscar um total e levar fama de quem faz conta de cabeça. E as verificações ficam por conta dos outros e das outras personalidades.

Olhar fotografias delas e deixar levar, cada vez mais boçal, cada vez mais afeito ao contentamento.

E vamos nós em prece – 9/3/2009

Escrevendo de penetras em um mundo já tão repleto de letras mais ou menos organizadas. Agora vemos com surpresa que até da direita pra esquerda se escreve – e nesses textos que para nós são criptográficos só de existirem, podem estar as mensagens mais importantes.

Carpideiras às avessas de um muro, que não foi mero empilhamento de pedras, mas cada pedra que caía foi uma pedra posta sobre cada uma das questões que pareciam resolvidas, e deixaram de ser.

Foi sempre tão fácil dizer: quem não é meu amigo é meu inimigo, e que os amigos estejam próximos, e que os inimigos estejam mais próximos. Mas sem saber quem é quem, qual é o bem real que alguém nos faz, os camaradas e descamaradas se aglutinaram tão próximos à nossa volta, que todos estão a pisar nossos pés e a dividir nosso ar.

E olhamos desconfiados dos quaresmeiros, que quem se esquiva de um suposto canibalismo com tanto fervor, há de ter em si um quê de divindade.

Medo de que dê tempo de dizer tudo, ainda que sóis invisíveis vão aparecendo sobre nossas cabeças (protetor sessenta, setenta, mil?), e quedemos mudos sem gostar.

Sigamos definindo tudo aquilo que nos surpreende e confunde como o avesso do avesso, pensando ter ludibriado a morte, essa única coisa a ludibriar, essa única coisa que não dá para tratar com ludíbrio. Quando estivermos desenganados, estaremos livres do engano?

*Vou publicar aqui o que publiquei por algumas semanas no extinto “cultblog” (e redivivo “página cultural“), pra efeito de arquivo e nuvem e vontade. E pra desenferrujar as engrenagens do wordpress.

Mídias sociais

Pode-se até inferir uma naturalidade na gloriosa ciência do marketing, ver que as novidades em matéria de promoção cruzam fronteiras sem o menor problema. Quem bolou a primeira notinha xerocada no estilo “senhoras e senhores estamos aqui”? E quanto tempo levou pra “virar viral”?

A nota abaixo recebi em uma Montevidéu decadente, cheia de meninos de calle:bilhete.jpg

A seguinte recebi de um amigo guardador de carros, um libelo pela evolução do transporte público. Um tanto de polissemia pra quem gosta:
amigo-2real.jpg

Alguém usou o PageMaker – quem sabe – fez o layout, meteu na gráfica, teve guilhotina e aquela colinha vermelha de fazer bloquinho, tudo pra conseguir um amigo, uma espécie de “me add aê, senão…”. Mas eu estava sem trocado.