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Refeição

Um peixe jazendo dourado numa travessa brilhante

Vai sendo velado aos nacos

em gomos de carne

Vai sendo velado aos nacos

em dentes protéticos

Em histerias protéicas

 

Agora, o assado é passado

A nudez testemunhal de um animal

É sua espinha limpa numa travessa opaca

Que sumam…

Que sumam as beldades venturosas

Não quero as mães de meus filhos aeróbicos

Nem o enfeite de um homem impávido

Mas tu? tu partires?

A alma gêmea do trapo esquálido

A metade de uma jura de amor no sofrimento

Sofro que sofro por aí; sofro que sofro sozinho.

Ainda vago pelo nosso caminho e vejo teu sangue no cercado

No farpado da lembrança

da agonia feliz de sofrer junto, muito.

Minha ruína…

Minha ruína é culpa. A sua é virtude
Minhas olheiras são culpa. As suas são honra
Meu mundo fadado à destruição, quando o seu, transformação
Sou estranho, você é comum e sou menos, sou culpa
Ouço-lhe arredio, enquanto me ignora está certo
Quem você pisa
quem pode te derrubar
Culpa é referencial.

E vamos nós em prece – 9/3/2009

Escrevendo de penetras em um mundo já tão repleto de letras mais ou menos organizadas. Agora vemos com surpresa que até da direita pra esquerda se escreve – e nesses textos que para nós são criptográficos só de existirem, podem estar as mensagens mais importantes.

Carpideiras às avessas de um muro, que não foi mero empilhamento de pedras, mas cada pedra que caía foi uma pedra posta sobre cada uma das questões que pareciam resolvidas, e deixaram de ser.

Foi sempre tão fácil dizer: quem não é meu amigo é meu inimigo, e que os amigos estejam próximos, e que os inimigos estejam mais próximos. Mas sem saber quem é quem, qual é o bem real que alguém nos faz, os camaradas e descamaradas se aglutinaram tão próximos à nossa volta, que todos estão a pisar nossos pés e a dividir nosso ar.

E olhamos desconfiados dos quaresmeiros, que quem se esquiva de um suposto canibalismo com tanto fervor, há de ter em si um quê de divindade.

Medo de que dê tempo de dizer tudo, ainda que sóis invisíveis vão aparecendo sobre nossas cabeças (protetor sessenta, setenta, mil?), e quedemos mudos sem gostar.

Sigamos definindo tudo aquilo que nos surpreende e confunde como o avesso do avesso, pensando ter ludibriado a morte, essa única coisa a ludibriar, essa única coisa que não dá para tratar com ludíbrio. Quando estivermos desenganados, estaremos livres do engano?

*Vou publicar aqui o que publiquei por algumas semanas no extinto “cultblog” (e redivivo “página cultural“), pra efeito de arquivo e nuvem e vontade. E pra desenferrujar as engrenagens do wordpress.