Tag Archives: publiquei

Quandos

Nas horas erradas

As mãos sumidas

Meados da noite

Confortos ausentes

Ela não está quando chamo

Não está, apenas quando chamo

 

Não sei se devo pensar que é necessária a todo momento

Se quando não está que é necessária

Ignoro o que seja sua falta na hora que a tenho.

Pronto pra morrer,

Ignoro o que é viver,

pois vivo movido a imperfeição

É quando a imperfeição não existe.

 

Então, ilhado entre dois mundos de tempo

Enquanto uns suspiram que é ontem

e outros bocejam que é hoje

Momento em que só eu existo e me faço existir

É quando crio

Quando tento equilibrar seu vácuo

com gags lacrimosas

Que admito chamar versos

Auge, Maria! – 6/5/2009

O contrário do não confunda é o não contunda, uma letra fazendo toda a diferença entre fazer alguma diferença e não fazer nada. A platitude na moldura onde deveria morar a latitude. Quem sabe umas letras poucas, que se embaralham, o confronto transforma-se em conforto. Ou uma palavra inteira: a velha zona vira a zona de – adivinhe – conforto. Entre a fusão e a fissão, quanta energia e destruição, cada uma nos seus termos, cada uma com seus asseclas, seus ídolos e idólatras.

As rimas também vem jogar: quando alguém vai descartar – enquanto par – amor e dor, paixão e caminhão – ou qualquer coisa muito grande, como se o apaixonar-se fosse pequeno? Confuso, confundido…Você tem estado mudo, mas seu estado é bem esse, não está mudado.

Continuando, pra dizer o afinal, a mulata é a tao, seus píncaros encerram o reinício do contrário. Auge, Maria!

E vamos nós em prece – 9/3/2009

Escrevendo de penetras em um mundo já tão repleto de letras mais ou menos organizadas. Agora vemos com surpresa que até da direita pra esquerda se escreve – e nesses textos que para nós são criptográficos só de existirem, podem estar as mensagens mais importantes.

Carpideiras às avessas de um muro, que não foi mero empilhamento de pedras, mas cada pedra que caía foi uma pedra posta sobre cada uma das questões que pareciam resolvidas, e deixaram de ser.

Foi sempre tão fácil dizer: quem não é meu amigo é meu inimigo, e que os amigos estejam próximos, e que os inimigos estejam mais próximos. Mas sem saber quem é quem, qual é o bem real que alguém nos faz, os camaradas e descamaradas se aglutinaram tão próximos à nossa volta, que todos estão a pisar nossos pés e a dividir nosso ar.

E olhamos desconfiados dos quaresmeiros, que quem se esquiva de um suposto canibalismo com tanto fervor, há de ter em si um quê de divindade.

Medo de que dê tempo de dizer tudo, ainda que sóis invisíveis vão aparecendo sobre nossas cabeças (protetor sessenta, setenta, mil?), e quedemos mudos sem gostar.

Sigamos definindo tudo aquilo que nos surpreende e confunde como o avesso do avesso, pensando ter ludibriado a morte, essa única coisa a ludibriar, essa única coisa que não dá para tratar com ludíbrio. Quando estivermos desenganados, estaremos livres do engano?

*Vou publicar aqui o que publiquei por algumas semanas no extinto “cultblog” (e redivivo “página cultural“), pra efeito de arquivo e nuvem e vontade. E pra desenferrujar as engrenagens do wordpress.