Quem são os otários?

Nem uma coisa, nem outra (nem mesmo as outras coisas que podem habitar o espectro que vai do aqui ao acolá, quase sempre ignorado, mas sempre presente): o modelo político adotado pelo mundo afora é o do otarismo.

Otário é todo mundo que aplaude e não recebe nem migalha do bolo, seja o quitute da felicidade, do conforto, da vingança ou de qualquer que seja o seu veneno, coletivo ou individual. Só procê, pra todo mundo ou pra todo mundo, menos você.

Difícil é tratar Bush, Chávez, Lula, Kirchner, Fidel, Merkel, Brown, Jintao etc., etc., como se eles fossem otários. É o cúmulo da otarice.

(editado: a charge da Folha de hoje é uma luva pra esse post de ontem - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dbch21112007.htm)Angeli é porreta!)

Charge do Angeli - 21/11/07 - Folha

Graduação, indigerível

Por acaso, tantos anos depois da minha graduação, cai em minhas mãos uma encomenda de monografia feita por um professor a um amigo meu querendo se formar. Nela, lê-se:

“[...] evite, ao máximo, fontes da Internet

Além da facilidade em simplesmente copiar e colar trechos de trabalhos encontrados online está a facilidade em encontrar as mesmas fraudes. Renegar a Internet como meio de difusão de conhecimento é mesmo algo típico de um educador do marketing - como um assunto tão jovem e de alicerces tão fofos pode reunir tanto obscurantismo, como se fosse uma confraria milenar de um saber revelado?

Não passa de mais um elemento na lista para se fazer um trabalho “que passa de ano”: ter certo comprimento, usar certo vocabulário legitimador, citar um texto (se existir) do fessor, jamais desrespeitar a formatação de uma edição qualquer da ABNT (tesconjuro!) e, agora, “evitar, ao máximo, fontes da Internet”.

O pacto da mediocridade existe no ensino superior, bem como em tantas áreas da nossa ação social. Um lado quer não mais que o suficiente para colocar as mãos em um diploma, livrar-se de ao menos um dos carnês que paga. Além do mais, tem um trabalho que o consome, consome seu tempo e que, aliás, obrigou-o a caçar o tal certificado (é só aguardar a “necessidade irrevogável” de uma pós). O outro lado, que encomendou um trabalho que não vai julgar atentamente na esfera de seu conteúdo, não se pode imaginar o que queira. Buscando no dicionário tutor e tutelado, percebe-se quem tem a maior responsabilidade no tal pacto, que segue bem, obrigado.

Seguem dois links, auto-explicativos:

Darwin, Charles - A Origem das espécies

Marx, Karl - O capital

Em tempo, as recomendações do tal professor viajam por aí via e-mail.

Cada vez mais cansado

O showmício Cansei 2, que esperava 2 milhões de pessoas lastreadas por atrações como KLB e Luciano (do binômio Zezé de Camargo e Luciano) teve picos de 15 mil, segundo a PM.

O evento foi organizado pela FIESP, Associação Comercial de SP e OAB-SP. A FIESP tem 150.000 indústrias associadas.

Bem, mais duas coisas:

- É preciso parar com esses pudores de “manifestações apartidárias”, “movimentos de simples cidadãos” etc. Mais coragem, mais clareza na bandeira pra conquistar mais e melhores co-signatários (mais fiéis).

- Esse papo de “jovens empresários”, uma espécie de bucha de canhão na organização do comício é de arrepiar na espinha. Aliás, qualquer grupo com “juventude” no nome carrega a certeza do tédio que reside em tudo o que é asséptico e penteadinho.