Orar…

Orar

Mover um pensamento linear

Não divagar

Ignorar o mal

que o senhor tem a seu lado

Unir as mãos

E despeitar o aleijão

Adorar,

a dor a dourar

o rosto lívido

A vela em choro ardente…

A vela em choro ardente se consome

Deixa madeixas atrás de si de uma cabeleira petrificada

Bandeirola de energia tremulando abandonada

Refina parafina, a vela é seu cheiro quente

Cobre um pires de porcelana um cemitério da claridade

Impávido pavio incandescente

Espírito da vela que ilumina, vejo a via do papel

O ideal me mata…

O ideal me mata, o ideal

ideal

Tão utilizado quanto inútil

Muitas vezes

Trouxe suvenires

Desta aldeia da idéia

E lá deixo meus

Pobres cobres

 

Isso vai me matando

Da fome do tátil

Do crível e amável

Da pequena bela idéia

 

Estou fugindo

Do seio do ideal

Para o agasalho

Do seio do seio real