batizado

A cor do seu corpo oculta pela lama noturna

Rasteja por entre as flores rasteiras que crescem e minguam na areia.

Enegrecida, seus olhos acesos em rosa buscam vultos pra não encontrar.

Suspira salitre das ondas, que a praia espalha pros lados.

Tão longe esquecemos quem éramos e desnecessários que éramos.

No escuro, a prata e o silício reluzem silêncio.

Na praia, o vício de você me proporciona proporções.

A manhã traz um corpo doce estirado nas dunas que descreve arcos e me diz meu nome.

E eu me batizo da imagem.

A gravidade das poucas badaladas

A gravidade das poucas badaladas

A gravidez da madrugada

As pálpebras abertas empurram o olho pro fundo

E a alma queria repousar do mundo

 

A mente, quente, crepita descobertas

Deduções, desbrava trilhas que encontra abertas

O corpo tenso de fadiga, extenuado

Revolve-se vivo num caixão fechado

 

Em poucos minutos, mais uma noite em claro

Ferido pela friagem, pela claridade

ergo-me, rastejo, paro

 

Olho a janela e reaparece a cidade

Todas as pessoas e cores renasceram num piscar

Quando vejo isso tudo, tenho sono e vontade de sonhar