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Lula no South Park

O Obama vai acabar queimando o filme com a moçada do Brasil, se continuar enchendo a bola do Lula. O busílis é que isso não terá a mais remota importância. De qualquer maneira, uma figura pública que beijou os 80% de aprovação popular no seu rincão e não usa turbante, até eu bajulo, no melhor estilo mal-não-faz e vamos almoçar qualquer dia, eu te ligo, satisfação!

Anyway, o mais icônico dos nossos comandantes (e crescendo) apareceu neste episódio do South Park (dá pra assisitir na íntegra). Livre associação a um mensalão intergalático.

Populismo versus nada

Até hoje se pergunta o porquê da reeleição de Lula, em um suposto contra-senso da tendência observada no primeiro turno. Claramente é impossível chegar a uma resposta final. O Bolsa Família é um dos líderes no pregão destas apostas de jogo terminado.
A liderança carismática de Lula, ainda forte entre as camadas mais pobres e em descenso entre as classes médias, gera confusão acerca dos meios e fins do programa, considerado populista. Populismo de verdade é a arte de fazer com que a nação esteja muito agradecida em não receber nada.
O Bolsa Família vem, depois de tantas panacéias, tratar de um problema simples (pessoas que não tem dinheiro) com uma solução simples (dar dinheiro às pessoas). Fosse um projeto mais complexo, de tantos que já vimos, tratado por especialistas e intelectuais, visando efeitos “nunca-dantes”, baseados nas teorias mais atuais de macroeconomia, da sociologia, da astrologia e da política, estaríamos com mais uma agência ou secretaria especial, mais um cabide de empregos, mais uma logomarca transada, mais publicidade na TV, mais comunistas-limonada a liderar oficinas disso e daquilo (sob as expensas do Estado).
E dá-lhe mais publicidade na TV, com criancinhas claramente pobres, embora sorridentes a demonstrar a uma nação desavisada que existe um programa revolucionário em andamento, embora ninguém veja. E assim que tomamos conhecimento dos programas sociais, assistindo pela telinha a inauguração de um prédio lindo, uma apresentação de tocadores de tambor, água cristalina jorrando em escovas de dente e lançamento de pedras fundamentais.
Enquanto a UEPP – a maravilhosa Universidade para Ensinar as Pessoas a Pescar – não entra em funcionamento, os beneficiários do Bolsa Família agradecem com razão a sardinha mensal recebida.

Internet, cadê a revolução?

A palavra gasta lança uma névoa sobre a Internet latente

Cada revolução foi antes um pensamento na mente de um homem – Ralph Waldo Emerson

A Internet é frequentemente chamada de revolucionária, assim como a nova marca de sabão em pó, o novo modelo de automóvel e o novo absorvente íntimo; todos são talhados a mudar a sua vida e existe demanda para isso.

Na análise dos números de uso da Internet, é fácil ver suas curvas de crescimento, o aumento de sua penetração e de horas em frente ao computador, mas popularização não é suficiente para tornar algo revolucionário. Avaliando-se os hábitos de navegação, percebe-se que cada internauta navega por um grupo pequeno de websites diariamente e cada vez mais tempo.

Talvez o hábito seja herdado do enraizado consumo televisivo, assemelha-se a ele; mesmo com o zapping, orbitamos entre poucos canais, notadamente os velhos canais abertos. Por reflexo, carregamos o hábito para a nova mídia, o que resulta na grande audiência dos maiores portais, muitas vezes versões compactas de um jornal impresso ou canal de televisão. Não raro esses grandes websites recebem papel subalterno, de promoção, suporte e complementação; remetem ao impresso, ao programa de TV.”A característica diferencial da Internet não está no hyperlink, que pode ser comparado ao zapping da tevê”

A característica diferencial da Internet não está no hyperlink, que pode ser comparado ao zapping da tevê; não está no modo de leitura recortado, que pode ser comparado à pirâmide de informação de um jornal; não está no caráter instantâneo da informação, a TV com sua hegemonia e com os satélites varando a Terra ainda é o meio preferencial para a disseminação rápida dos acontecimentos pelo mundo afora; não está na multimídia, a anterior popularização dos computadores pessoais já trouxera essa prerrogativa. A convergência prevista para a rede também não será protagonista da transformação. Mas é inegável que a nova mídia tem caráter revolucionário. E a revolução mora na produção.

Nenhum outro meio de comunicação facilita de tal maneira a produção e veiculação de conteúdo original como a Internet, colocando potencialmente em pé de igualdade desde uma grande empresa de comunicações até o indivíduo, antes mero consumidor final. Do ponto de vista técnico há a ausência da necessidade de técnica. É mais fácil colocar no ar um website que explore todas as possibilidades do meio do que mimeografar um pasquim (mesmo com a saudade do cheiro de álcool). No ponto de vista da publicidade, da audiência, vem à cena um fator que também deriva do novo modo de produção, o elemento comunitário. Há uma relação de “muitos para muitos” no feitio e na distribuição de conteúdo, no lugar de uma relação anterior de “um para muitos”. É assim que, por um lado, não existem restrições de pauta considerando a totalidade da rede, e toda mensagem é a quem interessar possa. A grande rede então vive seu destino ao limite, ao possibilitar a geração de sub-redes, comunidades não necessariamente regradas por territórios físicos, mas por sintonias políticas e ideológicas.

O movimento será mais lento do que se pode esperar de uma “revolução” e pode mesmo passar desapercebido pelo tempo afora. Enquanto milhares de pessoas só aguardam a propalada inclusão digital, outros tantos aguardam a inclusão na renda mínima, sob o auspício de um Estado qualquer. Enquanto tantos começam a produzir para a web, ainda não necessariamente publicando, mas exercendo escolha e formando suas redes pessoais, outros ainda navegam de maneira inercial nos conteúdos que cheiram a tradição.