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Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar – SJDR

Construção iniciada em 1721, em substituição à antiga capela de N. Sra. do Pilar, primeira construção religiosa da então recém nascida vila, que se tornaria São João Del Rei. A capela foi incendiada na Guerra dos Emboabas, entre 1708 e 1710.

Coberta de ouro e ricamente trabalhada, possui em seu teto o que seria o afresco mais extenso do barroco mineiro.

Nesta igreja foi realizado um Te-Deum* em comemoração pelo fracasso da Inconfidência Mineira

*O Te Deum é um hino litúrgico católico cantado em agradecimento a graças especiais, como a consagração de um Papa, canonizações, além do supra citado.

SJDR – Cemitério da Ordem de Nossa Senhora do Carmo

Após a viagem de trenzinho, com pouco menos de duas horas pra um passeio, somos abordados por vários guias que oferecem o curto-circuito do centro histórico de São João Del Rei em van. Muito embora seja rápido e algumas atrações sejam vistas através do vidro da perua, é o necessário pra cobrir o básico.

Entre nós e o pára-brisa (até a reforma ortográfica), estava o então fechado Cemitério da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, ao lado da Igreja de mesma Santa. Fechava-o uma obra de arte de 1836: o portão executado por Jesuíno José Ferreira, ferreiro mestre.

Realizado em ferro batido, sem qualquer parafuso, constitui um trabalho de maestria impressionante. Todo o cemitério destaca-se pelas obras de arte, além de ser um dos raros cemitérios cobertos do Brasil. Tudo isso gerava comentários do tipo “a irmandade do Carmo cuida melhor de seus mortos do que de seus vivos”.

Maria-fumaça Tiradentes a São João Del Rei

Seguindo dicas da maioria: São João Del Rei é uma cidade muito grande, que conta com um centro histórico, mas ficar nela não é uma experiência histórica (nem histérica) per se. Resolvemos correr o risco de passar lá pouco menos de duas horas, intervalo entre a ida e a volta da Maria-fumaça que liga Tiradentes a SJDR.

Uma das três fixações do mineiro, viajar de trem, de fato, é muito legal. Melhor com toda a ambiência das estações antigas a da maria-fumaça.

Photographia:

Nossa Senhora das Mercês – Tiradentes

Primeiro dia, passear à toa pelo centrinho histórico e a primeira construção que topamos foi a Capela de Nossa Senhora das Mercês dos Pretos Crioulos (deixo aqui o nome mais comprido que encontrei nos guias). Teria sido erguida por volta de 1760/1770. Em estilo rococó, conta com pinturas no forro, no retábulo e no arco da capela de Manoel Victor de Jesus, assim como as pinturas do azulejo e bandeira da Irmandade, obras realizadas entre 1795 e 1820.
Não encontrei fotos do interior da capela em lugar algum, então aqui vão meus dois vinténs:

Em tempo, para pagãos e católicos preguiçosos, “retábulo” é a moldura posterior do altar. O circuito das cidades históricas resulta em um grande curso de catolicismo – pelo menos na teoria.

Tiradentes de prima

História instantânea: Dois povoados nasceram a paritr de 1702, quando ouro foi encontrado na Serra de São José. Um tornar-se-ia São João Del Rei, o outro São José Del Rei. Com o esgotamento do ouro, a região de São José entra em decadência no séc. XIX, chegando a perder por onze anos o status de município (1849 a 1860). No início do ano de 1889, o escritor e nome de rua Silva Jardim, em visita a região, após ter passado por São João del Rei, chega a São José e fez um discurso inflamado sobre a causa republicana e sugeriu a mudança do nome da cidade para Tiradentes, em homenagem ao seu filho mais ilustre.

Com pouco menos de 7.000 habitantes, Tiradentes é hoje a joinha das cidades históricas. Pequena e catita, recheada de pousadas é ponto alto de qualquer roteiro por ali.

Ainda tentando achar hospedagem pelo telefone, descobrimos que competíamos com o Circuito Brasileiro de Cultura e Gastronomia, o que seria uma feliz surpresa se as pousadas não estivessem todas lotadas e com tabelas estratosféricas. Após muita garimpagem, a Pousada Pé da Serra cancelou o compromisso que tinha feito conosco, DOC feito e tudo o mais. Finalmente, conseguimos reserva na pousada Encanto da Serra.

Vale a pena buscar hospedagem no centro histórico (que não é exatamente igual a centro da cidade). Dá pra esquecer o carro durante a estadia e, de fato, sentir o clima em construções antigas. A pousada Pé da Serra fica no centro “não-histórico”, mas a 5 minutos de caminhada da pracinha, antiga e principal. É muito boa, café da manhã farto, atendimento caprichoso. Recomendo.

Primeira coisa, chegando à noitinha, foi caçar um lugar pra tomar uma e jantar. Paramos na melhor localização, bem na praça, o lugar chama bar da praça ou coisa que o valha. Agradável, com aquecedores à carvão pra quebrar o frio. Tem um cardápio com as frescurinhas do momento e preços também de moda. Comemos um “wrap” de alface, tomate seco é mussarela de búfala terrível, uma provoleta mais ou menos. E chopp – essa bebida em extinção – fraco. Aliás, a Coca-cola tem contrato de exclusividade por toda a região das “históricas”, pra beber algo diferente de Kaiser e Heineken tem que buscar os botecos. A alternativa à alternativa.

Deu pra perceber no entorno a cidade enchendo de “gente interessante”: charutos, saltos altos nos pedregulhos históricos, boinas, óculos gozados (às vezes escuros, na noite das celebridades), carecas-cabeludos. Talvez você entenda e seja meu colega de preconceito (que está sendo trabalhado).

Uma primeira caminhada no entorno e tudo isso ao fim fez uma bela noite. Dormir como um bebê.