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Sala de ex-votos da Igreja da Santíssima Trindade

Qualquer sala de ex-votos é de uma bizarrice fácil e envolvente, até mesmo para o católico brasileiro médio. Prateleiras de órgãos humanos de cera ou gesso, fotografias e cartas de várias décadas, e tome muleta, bengala, comadre. Um museu caótico (haveria alguém responsável pela disposição dos objetos?) cujo tema é “por força”, do fiel e de deus.


A indefectível lojinha, oferecendo de medalhas a intestinos de cera é logo ali do lado.

Santuário da Santíssima Trindade – Tiradentes – MG

Pois já se virou a folhinha, e segue a saga incompleta da viagem às Cidades Históricas de Minas Gerais, feita em algum mês do ano passado que não me recordo agora. Estou lá pelo terceiro, quarto dia. A intenção junta nobreza e narcisismo: tendo recolhido fotografias que não vejo indexadas por aí na rede (contando com as imperfeições do Google e congêneres), principalmente dos interiores desses patrimônios históricos, eis a parte nobre. O resto, é porque eu quero.
O Santuário da Santíssima Trindade, nascida capela em 1776, tem como “reason why” ter sido frequentada (trema de saudades) pelo único alferes Tiradentes. Já antes me referi no orgulho de, no meio de tantas igrejas suntuosas, destacar-se e importar-se com as igrejas mais simples. Esta é, sem dúvida, uma do caso, e sua simplicidade ganha o mérito de ainda por cima, ter sido local de oração do patriarca da independência, devoto da Santíssima Trindade (motivo que derivaria no triângulo presente na bandeira da inconfidência – de Minas depois).
Algo que ainda não citei por essas bandas e, sendo um mero turista na nação dos católicos, me surpreendeu foi a quantidade de representações de Deus. Da lista das coisas às quais nunca se para pra pensar, a imagem do tiozão barbudo, todo sábio e europeu, pensava eu que era muito da tradição oral, mas nas igrejas de Minas existem muitas representações do Deus cristão. No Santuário da Santíssima Trindade há uma destas imagens, em tamanho natural, em toda pompa.


Lá é bacana que você pode subir pela lateral e atrás do altar, pra ver um salão de igreja de uma perspectiva rara. E dois painéis laterais, muito mais pro nosso tempo, que descrevem milagres da Santíssima Trindade.

Capela de São João Evangelista dos homens pardos da Vila de São José del Rei

Há uma rivalidade entre as cidades históricas de Minas Gerais e seus moradores. A sua própria “agremiação” é a mais legal, seja lá qual for o motivo da superioridade. Tiradentes é a joinha, frente à suntuosidade caudalosa de Ouro Preto, mas só Congonhas tem a obra maior de Aleijadinho; São João Del Rei é aquela com vida própria, de cidade com presente brilhante, e por aí vai.

Um dos argumentos que contariam a favor de Tirandentes é a presença de trabalhos primitivos, que de alguma forma tem mais valor em sua simplicidade, como um estatuto anti-rococó, anti-aristocrático.

A nave da capela de São João Evangelista não tem altares, contando apenas com telas representando os evangelistas em traços bem primitivos que datam do séc. XIX. Os poucos anjos do retábulo são hirtos e pouco naturais.

A capela de São João Evangelista dos homens pardos da Vila de São José del Rei teve o início de sua construção por volta 1760, sendo que as obras se delongaram até o século XIX.

Igreja de São Francisco de Assis – SJDR

A grande referência da arquitetura colonial de São João Del Rei, quiçá de todo o complexo das cidades históricas mineiras, manjado cartão-postal.

Com projeto inicialmente riscado por Aleijadinho, mas bastante modificado pelo executor Francisco de Lima Cerqueira, a construção foi concluída em 1804.

Belíssima igreja em bom estado de preservação, com muitos brancos e pedras azuis nuas é uma das construções mais “clean” do circuito. Destaque para trabalho na portada em pedra-sabão.

Situada em um amplo espaço ajardinado, cuja sombra de palmeiras projeta-se no chão como cordas de lira (às 18:00 na primavera), conta com cemitério ao fundo onde encontra-se o túmulo de Tancredo Neves.