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Boas festas

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As Aventuras do Sr. Pickwick


Não sou dado a ler orelhas de livros, prefácios, resenhas de filmes e coisas do gênero. Ainda que ninguém deva ficar surpreso ao ver o Titanic afundar, ou ao descobrir que Romeu e Julieta não viverão felizes para sempre, vale a pena economizar o surpreendente sempre que possível.

Nessa toada, mantive “As aventuras do Sr. Pickwick”, de Charles Dickens, estacionado na prateleira por muitos anos. Ignorante de tudo o mais, evitando encontrar tristezas e ternuras, órfãos sujos brigando por um seco e mísero “loaf of bread”, avarentos em Natais solitários, o tijolinho abrigava as aranhas que quisesse.

Bastou respirar fundo e tomar coragem – não sei se estava a fim de “giletes, por favor” ou se o escasso bom humor me visitava – para ser surpreendido com um livro não só engraçado do início ao fim, mas que chegou a arrancar umas gargalhadas.

Charles Dickens“As Aventuras do Sr. Pickwick” foi publicado primeiro entre 1836 e 1837 aos capítulos, que eram vendidos avulsos. Tornou-se um fenômeno literário, gerando cópias piratas, gravuras, compilações de piadas e frases dos personagens mais populares.

Charles Dickens tem um grande gênio para construir personagens, que não precisam ter traços escandalosos para que haja individualidade e profundidade. O protagonista, à la Quixote, troca a fidalguia deste pela aristocracia iluminista, mas sempre cavalheiresca. E patética e engraçada.

Leia um trecho

Capela de São João Evangelista dos homens pardos da Vila de São José del Rei

Há uma rivalidade entre as cidades históricas de Minas Gerais e seus moradores. A sua própria “agremiação” é a mais legal, seja lá qual for o motivo da superioridade. Tiradentes é a joinha, frente à suntuosidade caudalosa de Ouro Preto, mas só Congonhas tem a obra maior de Aleijadinho; São João Del Rei é aquela com vida própria, de cidade com presente brilhante, e por aí vai.

Um dos argumentos que contariam a favor de Tirandentes é a presença de trabalhos primitivos, que de alguma forma tem mais valor em sua simplicidade, como um estatuto anti-rococó, anti-aristocrático.

A nave da capela de São João Evangelista não tem altares, contando apenas com telas representando os evangelistas em traços bem primitivos que datam do séc. XIX. Os poucos anjos do retábulo são hirtos e pouco naturais.

A capela de São João Evangelista dos homens pardos da Vila de São José del Rei teve o início de sua construção por volta 1760, sendo que as obras se delongaram até o século XIX.