Morde e assopra no chorinho

O chorinho talvez seja um dos únicos gêneros musicais designados no diminutivo (senão o único – tentei puxar pela memória e nada). Sempre alguém pode dizer um sambinha, um jazzinho etc., mas tudo isso é apelido; chorinho é Chorinho da Silva, seu criado.
Já ouvi um papo-teoria de que os criadores do chorinho por aqui e do blues nos esteites eram todos arrancados e escravizados de uma mesma tribo africana. Como uma boa teoria passada adiante via Internet, não lembro onde escutei, não sei se é verdade e passo adiante. No fim das contas, a hipótese vem de serem gêneros de músicas tristes ou geradas no sofrimento (afirmação que também é discutível).

Mas blues e chorinho são essencialmente diferentes. O chorinho parte de um princípio de complexidade ímpar na música popular e talvez aí resida seu principal problema. Por ser difícil fazer o básico no chorinho, não basta dois manés embriagados, uma timba e um violão pra tocar chorinho; ou um moleque que acabou de aprender a pentatônica e azucrina o mundo com o seu “feeling”. Tocar chorinho é coisa pra instrumentistas de alguma tarimba e o problema referido acima pode ser este: é um gênero de pouquíssima renovação, evolução. Tão bem acabado já ao nascer não precisava estagnar. O que vemos é, de um lado, os pioneiros em volta dos sessenta anos de carreira e, de outro, uns CDF’s academicizados mimetizando os velhos mestres, com ares de museólogos.

Ouvir chorinho é bom demais, principalmente ao vivo, mas ao longo de sua história poderia ter se desdobrado mais. É o que tira os gêneros da ameaça de virar folclore e os mantém no popular.

Segue “choro”, bonito tema do Premeditando o Breque:

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por helil