Quarteto de barbearia

Na origem dos grupos vocais contemporâneos estão os “barbershop quartets”, ou quartetos de barbearia. A história remonta ao início do século XX, nos Estados Unidos, quando grupos de negros se reuniam em frente à barbearias para cantar, sem acompanhamento de instrumentos. Estes conjuntos lançavam mão de um recurso acústico bem conhecido hoje em dia, o “overtone”: quando vozes bem afinadas e ricas em harmônicos executam determinados acordes, esses harmônicos mais altos se combinam pra formar um som mais cheio do que a soma das partes. Por isso o overtone também é conhecido como “quinta voz” ou “voz do anjo”. Um pouco parecido com cantar no banheiro, quando uma certa nota engorda no ouvido. Ouvir o fenômeno do overtone é de arrepiar os cabelos, para o bem ou para o mal.
Quarteto de barbearia Os barbershop quartets são hoje considerados um símbolo de tudo o que é pentelho e kitsch. Se aqui as pessoas contratam as mensagens musicais dos alto-falantes da Variant pra envergonhar alguém no aniversário, lá são os tais quartetos. É claro que tem quem adore e mantenha a tradição. Presentear é uma arte.
De qualquer maneira, os grupos vocais e o overtone têm sua semente plantada no imaginário da música. Vide “Because” dos Beatles ou “Bohemian Rhapsody”, do Queen, pra citar grandes sons. Aqui, em terras brasileiras, também existiram “Os Cariocas”, som que me faz bater com a cabeça na parede, o “Quarteto em Cy”, com um poder de irritação menor, mas ainda capciosa e o MPB4, que a mim agrada. Vá lá, questão de gosto.
Pra terminar o papo com música, segue Boca Livre em “Um canto de trabalho”, do grande LP “Bicicleta” (1980). Disco de ótimos arranjos de Maurício Maestro, que forma com Zé Renato, Cláudio Nucci e David Tygel e grandes instrumentistas.

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por helil