Monthly Archives: September 2008

Nossa Senhora das Mercês – Tiradentes

Primeiro dia, passear à toa pelo centrinho histórico e a primeira construção que topamos foi a Capela de Nossa Senhora das Mercês dos Pretos Crioulos (deixo aqui o nome mais comprido que encontrei nos guias). Teria sido erguida por volta de 1760/1770. Em estilo rococó, conta com pinturas no forro, no retábulo e no arco da capela de Manoel Victor de Jesus, assim como as pinturas do azulejo e bandeira da Irmandade, obras realizadas entre 1795 e 1820.
Não encontrei fotos do interior da capela em lugar algum, então aqui vão meus dois vinténs:

Em tempo, para pagãos e católicos preguiçosos, “retábulo” é a moldura posterior do altar. O circuito das cidades históricas resulta em um grande curso de catolicismo – pelo menos na teoria.

Tiradentes de prima

História instantânea: Dois povoados nasceram a paritr de 1702, quando ouro foi encontrado na Serra de São José. Um tornar-se-ia São João Del Rei, o outro São José Del Rei. Com o esgotamento do ouro, a região de São José entra em decadência no séc. XIX, chegando a perder por onze anos o status de município (1849 a 1860). No início do ano de 1889, o escritor e nome de rua Silva Jardim, em visita a região, após ter passado por São João del Rei, chega a São José e fez um discurso inflamado sobre a causa republicana e sugeriu a mudança do nome da cidade para Tiradentes, em homenagem ao seu filho mais ilustre.

Com pouco menos de 7.000 habitantes, Tiradentes é hoje a joinha das cidades históricas. Pequena e catita, recheada de pousadas é ponto alto de qualquer roteiro por ali.

Ainda tentando achar hospedagem pelo telefone, descobrimos que competíamos com o Circuito Brasileiro de Cultura e Gastronomia, o que seria uma feliz surpresa se as pousadas não estivessem todas lotadas e com tabelas estratosféricas. Após muita garimpagem, a Pousada Pé da Serra cancelou o compromisso que tinha feito conosco, DOC feito e tudo o mais. Finalmente, conseguimos reserva na pousada Encanto da Serra.

Vale a pena buscar hospedagem no centro histórico (que não é exatamente igual a centro da cidade). Dá pra esquecer o carro durante a estadia e, de fato, sentir o clima em construções antigas. A pousada Pé da Serra fica no centro “não-histórico”, mas a 5 minutos de caminhada da pracinha, antiga e principal. É muito boa, café da manhã farto, atendimento caprichoso. Recomendo.

Primeira coisa, chegando à noitinha, foi caçar um lugar pra tomar uma e jantar. Paramos na melhor localização, bem na praça, o lugar chama bar da praça ou coisa que o valha. Agradável, com aquecedores à carvão pra quebrar o frio. Tem um cardápio com as frescurinhas do momento e preços também de moda. Comemos um “wrap” de alface, tomate seco é mussarela de búfala terrível, uma provoleta mais ou menos. E chopp – essa bebida em extinção – fraco. Aliás, a Coca-cola tem contrato de exclusividade por toda a região das “históricas”, pra beber algo diferente de Kaiser e Heineken tem que buscar os botecos. A alternativa à alternativa.

Deu pra perceber no entorno a cidade enchendo de “gente interessante”: charutos, saltos altos nos pedregulhos históricos, boinas, óculos gozados (às vezes escuros, na noite das celebridades), carecas-cabeludos. Talvez você entenda e seja meu colega de preconceito (que está sendo trabalhado).

Uma primeira caminhada no entorno e tudo isso ao fim fez uma bela noite. Dormir como um bebê.

Cidades Históricas de Minas Gerais – a série

Vou publicar alguns artigos sobre a viagem às cidades históricas de Minas Gerais.

Chuvas de alferes, retábulos, ladainhas, frontões etc., visitar uma das partes mais antigas daquilo que se convencionou chamar de Brasil. É uma viagem que refiz depois de quase 20 anos e poderia fazer todo ano, que o assunto não se esgota em visitas intermináveis e hipnóticas a um monte de igrejas, mas (como é mais do meu estilo) tem seu grand finale no descansar das caminhadas, buscar uma vista bacana e reidratar em grande companhia.

Bora nóis.

De carro, com auxíio de Google Maps, 627km de pista regular. O Google maps tem uma árdua tarefa de se adaptar às estradas brasileiras: é um tanto de desvio, obra pra todo lado, rodovias que acabam pra continuar dali a quilômetros, mas é uma boa referência pra gente se achar.

O roteiro começa em Tiradentes, que vai nos próximos capítulos.