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Fernão de Magalhães

“Não sabia sorrir, ser amável, cortês, nem sabia tão pouco defender eloqüentemente suas idéias e pensamentos. Taciturno, reservado, sempre envolto numa bruma de solenidade, criou esse eterno isolado ao seu redor, uma gélida atmosfera de frieza, desconfiança, mal-estar. Seus companheiros percebiam-lhe inconscientemente, no silencioso retraimento, uma ambição obscura, cujo objetivo lhes resultou incompreensível e, portanto, mais suspeito que o daqueles que procuram impetuosa e abertamente determinadas situações. Sempre ficava algo inacessivelmente escondido detrás dos duros olhinhos redondos e encovados, detrás da boca encoberta pela barba emaranhada, um segredo que nunca deixou entrever; e um homem que guarda um segredo e tem a força necessária para mantê-lo durante anos apertado entre os dentes, sempre parece sinistro aos de natureza confiante e que não sabem calar.”

ZWEIG, Stefan. Fernão de Magalhães em Obras completas, Ed. Delta, 1956.