Monthly Archives: October 2007

Mais jornalismo

Além de ver as carnes da Mônica Veloso na Playboy, em edição que busca quebrar recorde de vendas, o que mais se pode querer dela, em ambientes vestidos? A moça faz a via-crúcis em “programas jornalísticos” pra divulgar a peladeria e não quer falar de Renan e pensão , sob risco de arrancar o microfone da lapela e vazar. Se não houvesse lapela, não haveria problema e vê-la indo embora seria um espetáculo a mais.
O que seria um bom assunto para uma entrevista como essa? Estou totalmente curioso pra saber sobre a sua dieta, seu time do coração, livros preferidos, maiores ídolos, tudo. Menos a única coisa que a introduziu na nossa vidinha.

A juventude do tango

O tango argentino é uma das grandes contribuições da América Latina para a música mundial. É vivo, orgulho em seu país, protegido e cultivado pelas diferentes gerações. Desde Carlos Gardel (1887-1935), que “canta melhor a cada dia” segundo dito popular argentino.

Uma de suas características é a blindagem contra ataques de comercialismo. Compare-se com a depredação aos nossos samba, forró e sertanejo; o tango, inclusive, mantém o frescor devido aos debates acirrados entre conservadores e renovadores do estilo. Desde o gênio de Piazzolla, criticado e finalmente erguido ao panteão de seus maiores gênios, até o recente Gotan Project, grupo suíço-franco-argentino (!), que busca unir o universo eletrônico ao gênero e o consegue com louvor, levando mais uma geração a cultuar sua música nacional e reconquistar o mundo.

Além do reducionismo da música exótica e erótica lá do fim do mundo, o tango possui uma riqueza musical e mitológica valiosa, sempre evoluindo ao beber das fontes originais. Tudo isso na América Hispânica de um bizarríssimo, anacrônico mau-gosto na música pop.
Segue, do Gotan Project, a faixa “Diferente”, do CD “Lunático” (2006).

[audio:diferente.mp3]

por helil

Jornalismo verdade

Jornalismo VerdadeEu sei que nenhuma imagem passa da câmera para as folhas da revista sem uma boa editada; como operador de Photoshop, fica difícil apreciar um desses ensaios da Playboy com aquele olhar franco e puro de adolescente. Penso até que seria bom marketing deixar uma ou outra “imperfeição”, escolhida a dedo, emprestando um pouco mais de realismo a um ensaio fotográfico. Uma espécie de promessa, potencial tátil.

Assinante de jornal, experimento fases de leitura ávida intercaladas com uma preguiça absoluta. Por vezes a necessidade de estar a par de tudo dá lugar a um sentimento déjà vu, e acabo achando absurdo quem está achando qualquer coisa absurda. A vontade que todo mundo tem de fazer figa pra alguém acaba se dirigindo para os mesmos fazedores de figa. Nestas estações me dá a certeza de que articulistas reclamões não estão fazendo nada além do que um trabalho chato de funcionário.

Outra alternância que experimento é a da especificidade do Brasil. É um país ímpar ou não? Minha tardia visita a uma terra estrangeira me fez, pelo menos, crer que o sentimento de que o Brasil é especial (para o bem ou para mal) é um erro estratégico, ou um mero erro. O brasileiro não é orgulhoso; o brasileiro é soberbo.

De qualquer forma, quando um indivíduo aparece com seu hardcore no jornal e sua parceira com seu softcore na revista masculina, e os dois eventos, com o mesmo peso na opinião, não geram nada além de um suspiro de fastio, dá pra vivenciar uma faceta do que é ser especificamente um brasileiro. Então tudo depende da fase em que me encontro. Fase de soberba perversa, do tipo “tentem entender esse meu país, gringos!”, ou fase “um tango na vitrola, uma dose de gim e giletes, por favor”.

Não vai estar dando; já deu.

Eu já estava cansado de tanto ataque ao “gerundismo”. Embora seja um anglicismo estúpido, vazio de significado e bastardo do triste ambiente dos “call centers”, não são menos tristes os paladinos anti-gerundismo, agindo como se fossem virgens pudicas, Águias de Haia da pureza e perfeição da língua. Se o gerundismo é o que mais lhes incomoda, acredite, sua vida é boa.

Agora que um palhaço da folclórica classe política faz de um mecanismo legal uma piada, que nem mesmo pode ser classificada de populista, é para se saber que acabou.

DECRETO Nº 28.314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007.
Demite o Gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo
100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
Art. 1° – Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° – Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º – Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 28 de setembro de 2007.
119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA

(Diário Oficial do DF)