Monthly Archives: September 2007

Meiguices

Existe um tipo de música e músicos em que se pode pregar a etiqueta de “meiguinho”. Embora haja um certo sarcasmo em uma afirmação como essa, não é algo que desqualifica uma canção “a priori”. Como já disseram antes, escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura, os adjetivos não substituem a própria audição, sem contar as questões de gosto pessoal.

Para mim, a meiguice tem diferentes vertentes. Tem coisa irritantemente açucarada, tipo “You’re beautiful” do James Blunt. Ou “Yellow” do Coldplay, música legal, mas que depois da milionésima audição você quer dar com a cabeça na parede. Tem também “Belle & Sebastian”, meiguice no nome da banda, em toda a obra artística, nas capas dos CD’s, nas performances, no visual, na água mineral que eles bebem, coisa pra um estômago forte.

Finalmente, tem o que se pode chamar de boa meiguice, como o que vai rolar pra vocês aqui. Continuando a onda de citar algumas fontes de garimpagem da Internet, o blog Aurgasm mantém um bom movimento de música do mundo afora. A promessa audaz é “apresentar um conjunto eclético de prazeres auditivos. Investigar música que você nunca ouviu e apresentar somente o melhor. Espere por música curiosamente diferente, mas simplesmente deleitável” (tradução livre). Bueno, alguma coisa sempre dá pra pescar em blogs como este.

Uma diversão à parte é ver os estilos associados a cada lançamento: hiphop abstrato, blip-hop, turntablism, indie folk, bedroom rock, ambiente, blithe folk pop, post-rock, shoegaze…confesso que me perco em toda essa batização maluca, sou do tempo Heavy Metal, Reggae, Forró: sem confusão.

Fechando, via Aurgasm, na pastinha de “israeli acoustic indie reggae”, segue Habanot Nechama com a música Hakol Kashura (Everything’s Alright). Meigo e acústico, atmosfera “étnica” de qualquer som cantado em uma língua diferente do inglês. Vamos ouvir até que vire música de propaganda de shampoo ou margarina, música de felicidade. Enquanto isso, grande som.

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por helil

Gritos e sussurros ao mesmo tempo

Interessante a França ter como grande voz feminina a potente Édith Piaf e também criar uma verdadeira tradição de cantoras sussurantes. A Constance Verluca é uma dessas belas vozes, gostosinhas de ouvir dentro de um som bacana (bela figura na foto também). Por aqui eu identifico a Fernanda Takai como vertente desse rio.

Constance Verluca
Vale lembrar como conheci a Constance. O blog Filles Sourires (“Sorrisos de garotas”) é dedicado a canções em francês cantadas por mulheres. Visite, bem produtivo e já encontrei coisas legais por lá. Vou postando umas fontes de sons da Internet com o tempo. E é sempre legal ouvir música em línguas do mundo afora – outro veio legal pra posts por aqui.

No áudio, segue um som bem representativo de seu trabalho, canção redonda, a voz entre pueril eO selvagem da motocicleta - cartaz sexy aparece em plenitude de meiguice.

A canção, como dá pra perceber, chama “Matt Dillon”. Sim, o ator; mas parece que é alusão unicamente ao seu personagem no “Selvagem da Motocicleta“.

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por helil

Quarteto de barbearia

Na origem dos grupos vocais contemporâneos estão os “barbershop quartets”, ou quartetos de barbearia. A história remonta ao início do século XX, nos Estados Unidos, quando grupos de negros se reuniam em frente à barbearias para cantar, sem acompanhamento de instrumentos. Estes conjuntos lançavam mão de um recurso acústico bem conhecido hoje em dia, o “overtone”: quando vozes bem afinadas e ricas em harmônicos executam determinados acordes, esses harmônicos mais altos se combinam pra formar um som mais cheio do que a soma das partes. Por isso o overtone também é conhecido como “quinta voz” ou “voz do anjo”. Um pouco parecido com cantar no banheiro, quando uma certa nota engorda no ouvido. Ouvir o fenômeno do overtone é de arrepiar os cabelos, para o bem ou para o mal.
Quarteto de barbearia Os barbershop quartets são hoje considerados um símbolo de tudo o que é pentelho e kitsch. Se aqui as pessoas contratam as mensagens musicais dos alto-falantes da Variant pra envergonhar alguém no aniversário, lá são os tais quartetos. É claro que tem quem adore e mantenha a tradição. Presentear é uma arte.
De qualquer maneira, os grupos vocais e o overtone têm sua semente plantada no imaginário da música. Vide “Because” dos Beatles ou “Bohemian Rhapsody”, do Queen, pra citar grandes sons. Aqui, em terras brasileiras, também existiram “Os Cariocas”, som que me faz bater com a cabeça na parede, o “Quarteto em Cy”, com um poder de irritação menor, mas ainda capciosa e o MPB4, que a mim agrada. Vá lá, questão de gosto.
Pra terminar o papo com música, segue Boca Livre em “Um canto de trabalho”, do grande LP “Bicicleta” (1980). Disco de ótimos arranjos de Maurício Maestro, que forma com Zé Renato, Cláudio Nucci e David Tygel e grandes instrumentistas.

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por helil