Monthly Archives: June 2007

Frankensteins da música

Fico imaginando o que seria dos produtores, djs e tantas bandas hoje em dia, sem as ferramentas de edição que proliferam entre as centenas de programas que existem por aí. Dentre esses programas, o mais popular é o Pro Tools , excelente para gravações, mixagens etc e muito utilizado por produtores para aperfeiçoar ou consertar a execução dos músicos, quando necessário.

Apesar de acusada de permitir que artistas menos expressivos disfarcem sua falta de talento, a edição torna mais contundente os efeitos que uma música pode ter sobre o ouvinte. É o caso, principalmente, das bandas de metal moderno, como o Slipknot, por exemplo. Onde o bumbo da bateria, tocado quase na velocidade da luz, se mistura com o som produzido por mais dois percussionistas, tudo ao mesmo tempo.

Os djs, por sua vez, procuram outros programas de edição, já que a construção musical se torna diferente, com colagens, samplers e levadas misturadas a composições já existentes.

Com a migração cada vez maior da música para o áudio-visual, nada mais natural que essas ‘colagens’ de edição apareçam também nesse formato.

Segue aqui um vídeo caseiro que retrata mais um caminho a ser tomado, mostrando que a criatividade, unida à tecnologia, estará sempre abrindo novas possibilidades.

Por Nando Bassetto.

Bob Marley, Exodus, 1977

Conforme apontado por aqui, surgem algumas ofertas de música em Pen Drive, notadamente de artistas tentado fazer um vento a mais em início de carreira.

Via Engadget aparece o que talvez seja o primeiro lançamento de um álbum e artista consagrados. Exodus de Bob Marley, completou 30 anos de lançamento dia 3 último. Em edição pendrive luxuosa, com três vídeos mais as faixas do disco original. Em tiragem de 4000 unidades, disponível para compra somente aos sócios do fã-clube “Bob Marley Passport”.

Capa de Legend, do Bob MarleyFalando em Bob Marley, o Brasil conheceu em 1984 e anos seguintes a maldição “Legend”, álbum de reggae mais vendido no mundo, com 12 milhões de cópias. Uma coletânea muito focada em baladas românticas que reduz o grande artista que foi Robert Nesta Marley. Muita gente cultua o profeta Rastafari baseado somente no Legend, o que é um grande desperdício. Era dose ir pra qualquer “bar de praia” na época. Is this boredom that I’m feeling?

Segue, do LP “Survivor” (sem faixas no Legend), “Zimbabwe”:
[audio:http://obtuso.helil.net/audio/zimbabwe.mp3]
por helil

Sgt. Pepper´s Lonely Heart Club Band

Sargent Pepper´s Lonely Heart Club Band foi lançado há exatos 40 anos. Considerado por muitos uns dos álbuns mais importantes da história, foi inteiramente feito em estúdio à base de muito ácido, como relatou o falecido e saudoso John Lennon. Essa obra-prima do Rock teve muitas de suas músicas regravadas pelos mais renomados artistas, como Joe Cocker, Jimi Hendrix e tantos outros que deram a sua interpretação às canções feitas pelos garotos de Liverpool. Algumas dessas regravações têm gosto duvidoso e há, ainda, as que não têm gosto algum.

Segue abaixo Lucy in the Sky with Diamonds interpretada por William Shatner (o capitão Kirk de Star Trek), eleita, merecidamente, como o pior cover dos Beatles de todos os tempos. É sofrível e não vale nem pra dar risada. Depois não digam que não avisei.


Por Flávio Vieira

O povo quer piano

Ontem teve uma apresentação do Arthur Moreira Lima em seu projeto “Um piano pela estrada” em Uberlândia – MG.

Arthur Moreira Lima - Um piano pela estradaDesde 2003, sobre um caminhão-teatro, ele percorre cidades do Brasil em concertos que reúnem música erudita e popular. O repertório é bastante chavão, incluindo a Polonaise Nº6, Jesus, Alegria dos Homens, Odeon, Asa Branca e uma bonita interpretação de Adios Noniño. Ainda assim, parte do público fica um pouco inquieta com uma hora e meia de piano solo. Cervejinha tilintando, celular tocando e fuga rápida depois do tradicional bis. Dever cumprido e um pouco comprido.

Fora de tópico, tem também sempre a exclamação quando começa o Carinhoso, “Oooooohhhhh!”.

O Arthur Moreira Lima está em um panteão de heróis brasileiros muito incensados nos anos 60 e 70, do tipo “o brasileiro sempre encanta o mundo com seu talento”. O release do projeto traz uma infeliz citação da revista “La Suisse” que o chama de “O Pelé do piano”. Não tenho cacife pra julgar se ele é um dos maiores intérpretes de Chopin, só sei que eu gosto de ouvir os seus CD’s.

Sem mais delongas, me lembro de um época em que havia muito mais projetos deste tipo, gratuitos ou baratinhos, de vertentes extra-jabaculê da música. Por conta deles, já vi muita música erudita, instrumental brasileira, rock; nomes consagrados ou espaço para novidades. Coisa em baixa hoje em dia.

Segue o próprio, tocando a supracitada e da pesada Polonaise de Chopin.

[audio:http://obtuso.helil.net/audio/arthurmoreiralima.mp3]

por helil